O acontecimento mais comum é a troca de ração entre espécies. Este fato pode provocar distúrbios gastrointestinais a curto e médio prazos, e danos renais e hepáticos a médio e longo prazos, geralmente irreversíveis. Por exemplo, muitas vezes vemos que cães têm verdadeiro apreço por ração felina. A razão disso é que o gato possui um paladar mais apurado, obrigando que a ração seja mais saborosa. Mas há um pequeno porém: a ração de gato possui uma substância que é indispensável a esse animal, a taurina. Essa proteína está presente na ração pois o gato não é capaz de sintetizá-la, e tem importante papel no metabolismo felino. A falta dessa proteína, a médio e longo prazos, provoca degeneração de retina e cardiomiopatia. É dispensável na nutrição canina, sendo que a presença em excesso desse nutriente (e entenda-se por excesso simplesmente a quantidade presente na ração felina) provoca disfunções nutricionais e metabólicas no cão.
Outro fato comum, ainda nesse quesito, é o oferecimento de ração canina ou felina a iguanas. Muitas pessoas justificam esse fato dizendo que o iguana, em sua fase juvenil, precisa ingerir proteína animal... Bem, há uma grande diferença entre a proteína animal contida num inseto e a proteína animal contida numa ração canina ou felina, tanto em termos de quantidade e tipo de proteínas, quanto à diferença nos demais componentes (vitaminas, minerais etc.).
A ração é um alimento relativamente novo. Há duas décadas era bastante raro ouvirmos falar em ração, e somente as famílias mais abonadas se utilizavam dessa "praticidade". Atualmente, há no mercado rações bastante acessíveis, muitas das quais bem satisfatórias em termos nutricionais.
Podemos pensar: "se na Natureza os animais não possuem ração, e se antigamente nossos avós e bisavós davam comida caseira aos animais e estes eram saudáveis, por que devo utilizar ração?" Alguns Médicos Veterinários recomendam a comida caseira a alguns animais, mas em casos em que estes não se adaptam a nenhum tipo de ração que o proprietário possa adquirir.
Temos que considerar que, em ambiente selvagem, os animais têm acesso a mais variada gama alimentar, seja vegetal ou animal. Isso garante um equilíbrio, tanto em termos de quantidade como em qualidade. Em cativeiro, esse acesso fica restrito, o que provoca distúrbios nutricionais. Por mais tempo que viva um cão que só se alimenta de polenta, sua saúde não se equivalerá a de um cão da mesma idade que só tenha se alimentado de ração.
Em muitos casos opta-se por dar comida caseira, principalmente ao cão, por este não aceitar a ração. Ao consultar um Médico Veterinário, este passa um verdadeiro "menu" diário: frutas, legumes, verduras, tubérculos, raízes, grãos etc. etc.. Percebemos que, além do grande trabalho em preparar isso, o gasto não fica por menos do equivalente de uma boa ração.
Outro motivo para algumas pessoas optarem por alimento caseiro é a dificuldade em adaptar o animal à ração. Há casos em que, realmente, o organismo do animal não se adapta a nenhuma ração. Porém, na imensa maioria dos casos, nota-se certa negligência do proprietário. Com um pouco de disciplina e insistência, qualquer animal passa a comer ração, independente da idade.