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CONHECER MELHOR SEU CÃO PARA VIVER
MELHOR COM ELE

Ao se tratar de educação canina, costuma-se ouvir dizer: "é preciso primeiro educar o dono antes de educar o cão".
Pessoalmente, acredito que se deve sobretudo informar o dono, ensinar-lhe como seu cão funciona, quais serão suas possíveis reações numa determinada situação, de maneira a permitir-lhe antecipar e prevenir qualquer e toda ação negativa. Será preciso também ensiná-lo a comunicar-se com seu cão, entendê-lo e fazer-se entender por ele. A maioria dos problemas, dos conflitos até, provêem de uma incompreensão e de um desconhecimento mútuo das regras do comportamento social da espécie. Dono e cão devem aprender a viver juntos.
O dono deverá, pois, criar uma verdadeira lin­guagem composta por sinais inteligíveis por seu cão.
Somente quando esse código de comunicação estiver estabelecido é que poderá ser iniciada a educação familiar do cão. A finalidade de tal educação familiar será a defi­nição da posição hierárquica do cão e das regras de vida às quais deverá, imperativamente, sub­meter-se em sua nova "matilha familiar".
Desenvolver-se-á desde muito cedo sua motiva­ção com o objeto (bola ou ossinho), pois será muito útil nas futuras fases de aprendizado.
Num primeiro tempo, tratar-se-á de disciplina e não de obediência. Definir-se-ão as interdições: interdição de qualquer alimento à mesa, de aces­so a certas salas, escolha de zonas onde o cão poderá satisfazer suas necessidades.
A partir da motivação com objeto, poder-se-á desenvolver e obter rapidamente, através de brin­cadeiras, uma certa disciplina: caminhar ao lado, comandos senta e deita, volta, devolução de objetos.
Quando o cão dominar as bases da disciplina (não antes dos oito meses), poder-se-á então ensinar-lhe exercícios de obediência, tais como caminhar ao lado com e sem guia, as mudanças de direção, as mudanças de velocidade, as posições (de pé, deitado ou sentado), os bloqueios, a volta (muito importante), o uso da focinheira para os cães grandes (se e quando necessário), o trabalho em grupo para desenvolver a sociabilidade com o homem e com os outros cães.
A autoridade faz parte das marcas necessárias para o equilíbrio do cão mas, para ele obedecer ao dono, não para temê-lo. Nenhuma submissão, nem rigor excessivo, que seriam penalizantes, mas antes uma obediência livremente consentida. Convém criar um clima de confiança que favore­ça o desenvolvimento positivo das relações dono/cão que o ajudarão, em todas as circuns­tâncias, a vencer suas apreensões naturais.
Certas regras, portanto, deverão ser respeitadas:


* Ter uma atitude coerente, adotar sempre a mesma reação diante de uma determinada situação, o que permitirá ao cão dissociar muito rapidamente o que lhe é permitido e o que lhe é proibido.
Atitude incoerente = incompreensão e descon­fiança.

* A confiança, base essencial de qualquer comu­nicação, merece-se e ganha-se com uma atitude justa, pois o cão possui um sentido agudo da eqüidade.

* Saber mostrar seus sentimentos, acentuar o "sim" quando o cão faz algo bem, caso contrário emitir um "não" seco e autoritário. Ele aprende­rá muito rapidamente a medir o grau de satisfa­ção ou de descontentamento de seu dono.

* Ter paciência e estar muito atento e saber detectar o cansaço, a excitação, a interrogação ou o medo. Isso permitirá antecipar e evitar inciden­tes.

* Finalmente, comportar-se como bom "líder de matilha", com tudo quanto isso implica em ter­mos de autoridade e responsabilidade.

São esses alguns conselhos a serem dados aos proprietários de cães, lembrando-lhes que o cão deve ser, antes de tudo, uma fonte de prazeres e alegrias na vida de seus donos, os quais deverão poder apreciar sua companhia, e não sofrê-la, o que, infelizmente, ocorre em demasia.

J.-P Petitdidier
Éducation du chien, éducation du maître Ln le chien adolescent,
SFC, paris, 1997